segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Padre usava laranjas para ocultar desvio de dinheiro de fiéis, diz juíza

Padre usava laranjas para ocultar desvio de dinheiro de fiéis, diz juízaO padre Robson de Oliveira Pereira, de Goiás, é investigado por suspeita de crime de lavagem de dinheiro, segundo o Ministério Público de Goiás. Uma entidade criada pelo religioso realizou transações imobiliárias suspeitas e o padre comandaria o esquema. As investigações indicam que o padre usava laranjas e empresas de fachada para esconder supostos desvios de doações de fiéis para construção da Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade. O dinheiro foi usado para comprar fazendas, apartamentos e até uma casa de praia em Guarajuba, na Bahia.Ele era presidente da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), além de outras organizações ligadas à entidade. Por conta da investigação, o padre pediu afastamento dos cargos, mas afirma ser inocente e diz confiar na Justiça. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirma estar "sereno e confiante" de que tudo será esclarecido e diz que todo dinheiro doado foi usado em atividades religiosas.

Além da Afipe, a Associação Pai Eterno e Perpétuo Socorro, também presidida pelo padre, é alvo da investigação do MP.

Segundo a Justiça, que recebeu a denúncia, o uso de laranjas e empresas da fachada era uma estratégia para tentar dificultar o rastreamento do dinheiro. Os investigados devem ser acusados por apropriação indébita, lavagem de capitais, organização criminosa, sonegação fiscal e falsidade ideológica. De fato, os elementos informativos coletados indicam que as doações feitas por fiéis de todo o país para o custeio das atividades das AFIPES e para o pagamento das obras e projetos de cunho social da mencionada associação, em tese, estão sendo utilizadas para finalidades espúrias, mormente para o pagamento de despesas pessoais dos investigados e para aquisição de imóveis, incluindo várias fazendas e casa de praia, os quais, a princípio, não se destinam ao atendimento dos seus propósitos religiosos", diz trecho de uma decisão da juíza Placidina Pires, do Tribunal de Justiça de Goías, que autoriza busca e apreensão . O teor foi divulgado pelo Uol.

Como exemplo, a associação comprou um terreno de 3.200 m² por R$ 485 mil, em 2010 e o repassou nove anos depois pelo mesmo preço. Corrigido pela inflação do período, o valor do imóvel estaria avaliado, no mínimo, em R$ 820 mil quando foi para a nova dona, uma administradora de bens. Essa negociação é citada como prática de lavagem de dinheiro. Essa administradora negociou "dezenas de imóveis" com a Afipe, sempre com "evidente prejuízo" para a entidade comandada pelo padre.

O MP aponta movimetações financeiras que chegam a R$ 1,7 bilhão. O promotor de Justiça Sebastião Marcos Martins afirma que nem todo o valor analisado e movimentado é referente a atividades que são agora consideradas ilícitas. A revista Época fala em valores que chegam a R$ 60 milhões. 

Trindade é um dos nomes de destaque do turismo religioso no Brasil atualmente. Padre Robson foi idealizador da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), que nasceu para divulgar a devoção.Fonte/Correio24horas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário