domingo, 19 de abril de 2020

Dia do Índio: aldeias da Bahia suspendem festas e relatam fome em meio à pandemia

Com mais de 50 dias desde primeiro caso de covid-19 no país, índios baianos denunciam que apoio da Funai ainda não chegou no estado

Se não fosse pela pandemia do novo coronavírus, este 19 de abril seria de ritual festivo nas aldeias indígenas da Bahia. Nas cidades de Itambé e Coroa Vermelha, ambas no Sul do estado, os caciques decidiram fechar as entradas das comunidades e suspender as torés, as danças em celebração à vida. Localizada na região tida como 'Costa do Descobrimento', Coroa Vermelha ainda não tem casos confirmados da doença, mas fica entre Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro, que já somam 19 pessoas infectadas. Em meio ao cenário, lideranças indígenas denunciam fome e negligência da Fundação Nacional do Índio (Funai).
Comandante das aldeias do Alto do Juriti e Juriti Alto da Boa Vista, em Vitória da Conquista e Itambé, o Cacique Curiango, 64, conta que sua comunidade ainda tenta se refazer do último despejo e ataque por disputa de terras no fim do ano passado. Recém migrados para Itambé, onde conseguiram uma área para instalação de barracos, ele conta que os índios não tiveram nem tempo de pensar em celebração. 
“Ficamos divididos, mas até agora pelo menos estamos felizes e sadios. Em várias aldeias hoje a gente estaria fazendo um movimento de passeata, um desfile bonito, uma toré para se alegrar dentro da aldeia, mas não estamos comemorando porque somos um aldeia nova, estamos nos organizando. Só que com esse problema do coronavírus nós não íamos fazer de qualquer maneira”, 
conta o cacique, pertencente à etnia tupinambá.
Segundo ele, cerca de 27 famílias já conseguiram se instalar em Itambé, onde também há outras aldeias. Em Vitória da Conquista restaram 59 famílias tupinambás que tentam se mudar para o novo território. O cacique acrescenta que parte destas pessoas são cadastradas no Bolsa Família e até souberam que teriam direito ao auxílio de R$ 600, mas ainda não entenderam como ter acesso ao recurso. 
Pajé Iara, da aldeia Nova Coroa, em Coroa Vermelha (Foto: Arquivo pessoal)
“Da nossa turma eu sei que ninguém recebeu, mas vamos correr atrás. É uma coisa fora de série, muito esquisita tudo. A gente vêm as coisas acontecendo, já sabemos de parentes em aldeias do Amazonas, já morreu gente... A gente fica preocupado e pede a Tupã para entrar na frente e rebater tudo o que for ruim”, desabafou. Fonte/Correio24horas.

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