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domingo, 2 de junho de 2019

Fitinhas x folhas: disputa por espaço no Bonfim vai parar no Ministério Público

Povo de santo acusa padre de tentar expulsá-los
Os interessados sentam cada qual em uma cadeira, numa sala no Jardim Baiano. De um lado, a Igreja Católica. Do outro, o Candomblé. De frente para uma promotora, iniciam a disputa por espaço na praça da Basílica do Senhor do Bonfim. Os representantes do Candomblé que oferecem banho de folha e outros serviços espirituais no largo acusam o padre Edson Menezes de tentar expulsá-los dali. O líder católico diz receber reclamações de turistas sobre a atuação dos candomblecistas. A peleja deixou a sacralidade e chegou ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA).
 
Hoje, no Largo do Bonfim, integrantes de nove terreiros atendem turistas e frequentadores da mais tradicional igreja de Salvador. São, aproximadamente, 20 lideranças religiosas. Dão banho de folhas, de milho, de água. Práticas do Candomblé que, adaptadas em frente à igreja, compõem o cenário cultural. Pois, no ano passado, os religiosos resolveram denunciar ao MP-BA as primeiras tentativas de expulsão. Sacerdotes e ialorixás dizem que, a mando do padre Edson, homens começaram a abordá-los. Numa dessas ocasiões, um deles lhes disse para “tirarem a roupa e saírem, que não seria mais permitido a presença deles ali”, como consta no primeiro documento enviado ao MP-BA a que o CORREIO teve acesso.
 
Sem resposta ao pedido de apuração, a Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA) encaminhou um novo ofício ao MP-BA em janeiro deste ano, quando as supostas ameaças de expulsão ficaram mais intensas. A organização preferiu recorrer direto ao órgão por acreditar que há infrações diversas, mais apropriadas à ação do MP, como o uso do espaço público.
Participaram da reunião o presidente da AFA, Leonel Matos, padre Edson, e representantes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), atualmente responsável pelo ordenamento de ambulantes na praça. A promotora Lívia Vaz acompanhou as acusações e defesas numa reunião realizada no dia 18 de março. 
“O espaço é público e as pessoas que estão ali são sacerdotes tanto quanto ele. Exigimos o respeito devido. Por que padre Edson quer ocupar o local apenas com a Igreja Católica? Vemos como um caso clássico de intolerância religiosa, de racismo religioso”, afirmou Leonel, em encontro com a reportagem.
Mas, quando uma convivência até então aparentemente pacífica se torna um problema? Padre Edson, segundo os candomblecistas, intensificou a tentativa de organizar a praça. O espaço passou por uma obra de revitalização iniciada em abril de 2018 e finalizada no dia 15 de janeiro deste ano, promovida pela Prefeitura de Salvador.
“É uma praça pública. O que mais me deixa indignado, como cidadão, é que ele [Edson] é um representante da maior denominação católica aqui. E tão preconceituoso”, afirmou pai Alex, com 11 anos de Bonfim.
A Semop, desde então, atua na ordenação do local. Mas responde que apenas no que diz respeito ao trabalho dos ambulantes, não às lideranças religiosas de matriz africana. Os vendedores, para atuarem em praça pública, precisam se cadastrar junto à secretaria.
Banho de folhas na porta do templo católico (Foto: Marina Silva/CORREIO)
Na reunião, o padre, reitor da basílica há 10 anos, não negou o desejo de ordenar sacerdotes e ialorixás. Os turistas teriam reclamado dos valores “exorbitantes cobrados, ameaças em caso de não pagamento e troca de roupas em praça pública”. Nesta semana, padre Edson recebeu a reportagem na casa paroquial, vizinha ao largo onde se espalham ambulantes, turistas e candomblecistas. Nas missas, o povo de santo é muito bem-vindo, ele diz. Chama sua atenção o silêncio nas missas, o respeito. O problema estaria da escadaria para fora.
Padre Edson: turistas reclamam de abordagem e constragimento (Foto: Evandro Veiga/ARQUIVO CORREIO)
“Minha preocupação é com o assédio ao turista e cobrança de um valor exagerado. Existe uma reclamação, eu não acho correto. Eles acham que tem o direito de circular a praça. Claro, a praça é pública. Mas é uma praça localizada em frente a uma igreja", diz padre Edson.
Perguntamos, então, o que seria um valor exagerado. O padre preferiu apontar possíveis mudanças para o futuro. Geralmente, os turistas costumam contribuir com valores entre R$ 5 e R$ 10, como observou a reportagem numa visita. Dentro da igreja, seria possível comprar um pequeno terço ou 330 ml de água benta com os valores. “Falta diálogo, até mesmo com as associações referentes ao próprio Candomblé. A questão do sincretismo ocorre pacífica e respeitosamente”, defende o padre.
Do lado dos candomblecistas que dizem retirar dos serviços no Bonfim o sustento para as obrigações religiosas das casas sagradas, o contraponto: mas e o dízimo, as doações espontâneas à igreja?
A questão ainda aguarda um desfecho. A promotora Lívia Vaz, coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Proteção dos Direitos Humanos e Combate à Discriminação do MP-BA, disse não poder comentar o caso, ainda aberto para uma definição. A Corregedoria da Polícia Militar recebeu recomendação da promotora para apurar se os homens não caracterizados que abordavam os líderes religiosos do Candomblé são, de fato, policiais, como dizem os sacerdotes. Mas não respondeu a reportagem se houve algum andamento no caso. 
Ainda não há prazo para realização da nova reunião. Até lá, padre e candomblecistas mantêm firmes suas convicções. "Não considero a presença desse pessoal como expressão de sincretismo. Não sei se é um ritual. Eles cobram por isso", afirma o padre Edson, que diz ter tentando se reunir com os candomblecistas. A versão é em tudo negada pela outra ponta do novelo. "Eu quero saber porque não posso estar ali. Ninguém me responde isso. A gente não entra na Igreja nem quando chove para não causar desconforto", defende pai Alex.
No meio do caminho, até o encontro na sede do grupo especial do MP, muito aconteceu. Uma história iniciada pelos idos no século 18, nas primeiras lavagens das escadarias da casa do Senhor do Bonfim.
 
'Não cabe a uma religião disciplinar outra'
A ocupação do Largo do Bonfim por candomblecistas, e também das missas por adeptos de religiões de matriz africana, é tão antiga quanto a própria história do santuário de 1772. Da opressão imposta pelos colonizadores católicos, o sincretismo torna-se uma forma de sobreviver. E, no alto da Colina Sagrada, tudo ganha outros contornos.
Pai de Santo Marcelo Gomes: uma das 20 lideranças religiosas que trabalham em frente à Igreja do Bonfim (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)
Na cidade de Ifé, na Nigéria, Oxalá, o criador e purificador, é cultuado com água e numa colina na antiga cidade do povo iorubá. Quando chegaram os negros escravizados no Brasil, adeptos do Candomblé, e oprimidos pela repreensão religiosa, a associação do orixá ao Senhor do Bonfim foi tão imediata quanto necessária. A lavagem das escadarias e do adro é quase imediata à abertura do templo. É um dos aspectos que fizeram o sociólogo Roger Bastide afirmar que, na Bahia, o catolicismo era definitivamente negro. 
Então, o antropólogo Ordep Serra, autor de livros como Rumores da festa: o sagrado e o profano da Bahia e Os olhos negros do Brasil traça o paralelo.
“Bom, você é uma negra, chega aqui escravizada, ouve falar que há uma colina em que um deus é cultuado numa lavagem, você imediatamente vai associar à Oxalá. Costumo dizer que há um convênio entre Oxalá e Bonfim”, explica.
A Igreja do Bonfim, pouco a pouco, torna-se parte do caminho religioso no candomblé da Bahia. Oxalá não é Bonfim, nem o contrário. Mas, o santo também abençoa os iaôs, recém-iniciados no Axé. A depender da Casa, o iniciado segue descalço, acompanhado da mãe de santo e do pai pequeno, sempre pessoas mais velhas, a outros terreiros. O Bonfim entra na rota da purificação.
"Ir à Igreja é pedir benção ao santo, é o pai da criação, da fertilidade. Oxalá que criou os oris, que soprou a vida. Isso lembra a relação de Jesus com Iavé", explica Marlon Marcos, antropólogo.
O diálogo inter-religioso começa a deixar marcas físicas e simbólicas no Bonfim. Uma delas, o povo do Candomblé na praça, ao redor do qual passam a se reunir os primeiros simpatizantes. A busca principal é o banho de milho branco, o banho de Oxalá, para abrir os caminhos. Mas também há os banhos de acocô, arueira e arruda. "Isso é um costume, já é parte da tradição baiana. Repelir isso é intolerância. Espero que não se procure acentuar isso", avalia Ordep. 
Às sextas-feiras, dia de Oxalá, o movimento costuma ser ainda maior. Na igreja e no largo, o branco do orixá e da paz espalha-se por meio das roupas e indumentárias. Os turistas se aglomeram para receber o axé. As bacias com folhas e outros elementos sagrados seguem ali de domingo a domingo. "É bonito, essa mistura baiana é o que encanta a gente que vem de fora. Salvador é isso", opina a turista do Rio de Janeiro, Lívia Telles, 41.
O único ponto de observação é que não haja insistência por parte dos sacerdotes. Quando visitou o largo da basílica, na última sexta-feira, a reportagem acompanhou abordagens dos líderes religiosos a visitantes. Não houve preço estipulado anteriormente ou depois do serviço prestado. Depois de tomar um banho de arruda, por exemplo, a professora Tanira Matutino, 32, reparou não ter nenhum dinheiro no bolso.
"Me desejaram que eu saísse de lá com saúde e paz. Nunca tive problema com eles", conta ela que, vez ou outra, recorre ao axé.
Neste ano, pai Alex organizou um curso justamente para ensinar aos irmãos de fé como abordar, corretamente, o turista. A questão é: como mapear os casos e inferir se há excessos? Em caso afirmativo, seria suficiente a tentativa de expulsão ou, ainda, remanejamento?
A promotora e coordenadora do grupo especial dedicado a casos de violação de direitos humanos e discriminação Lívia Vaz acredita numa corrente de estímulo e resposta: o líder religioso pode influenciar um exército para o bem e o mal.
"Não cabe uma religião disciplinar. Não cabe sequer ao estado disciplinar a religiões. O que é importante ser dito é que é fundamental que se busque o diálogo e o respeito inter-religioso. Mesmo que eu não concorde com isso, eu, enquanto líder, preciso respeitar", acredita.
Somente neste ano, foram 67 casos de intolerância religiosa reportados ao Ministério Público, segundo o órgão. O número é quase o total de todo o ano passado, quando houve 77 registros. No Bonfim há 10 anos, pai Giselmo de Ògún diz ter sentido a intolerância na pele. "É a pressão, você sabe, né? Muita agonia, muita pressão. A gente precisa de respeito. Toda vez um dizendo pra a gente sair, pra ficar atrás das palmeiras", afirma o babalorixá.
Reunidos na frente da Igreja do Bonfim, grupo oferece serviços espirituais(Foto: Marina Silva/CORREIO) 
A Arquidiocese de Salvador possui uma comissão específica para tratar o diálogo ecumênico. É formada por três representantes da Igreja Católica, que, a cada dois meses, se reúnem com outra lideranças para pensar como melhorar a coexistência das fés. Na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, uma das marcas do catolicismo baiano, o padre Jonathan Jesus é um dos integrantes e comenta: 
"[A comissão] Não é para favorecer sincretismo mas abrir-se ao diálogo. Eu acredito que nós tenham a faca e o queijo na mão para construir uma expressão mais inclusiva, com discursos de maior tolerância, maior respeito, princípios que são cristão. Ninguém precisa concordar, mas é necessário que se respeite", diz Jesus.
Na Igreja de São Lázaro, é o que tentam fazer os católicos, candomblecistas e padres há, pelo menos, 280 anos.
São Lázaro: entre o santo e a pipoca
É provável que o hábito de limpar a energia com folhas e pipoca antes de pedir benções católicas tenha surgido há 280 anos. No bairro de São Lázaro, antigo endereço de um leprosário, doentes terminais tinham em Omolu e Obaluê, orixás da cura, uma esperança. Os católicos recorriam ao Santuário de São Lázaro e São Roque, os santos da recuperação. Naquela Bahia escravocrata, a união dos hábitos criou novos traços estéticos e culturais vistos até hoje em frente à igreja de 1736. Uns rezam, outros recorrem ao poder dos orixás. Muitos fazem os dois.
Deburu, a pipoca sagrada, sobre cabeça de fiel em São Lázaro (Foto: Arisson Marinho/Arquivo CORREIO)
Religiosamente às segundas-feiras, o dia de São Lázaro, Obaluê e Omolu, o povo de santo chega muito cedo à praça da igreja. O deburu, a pipoca dos orixás capaz de retirar as impurezas, é o principal elemento guardado em cestos. O chão da praça está cheio dele a cada início de semana. Assim como a roupa dos fiéis que, dentro da igreja, rezam com terço à mão. Nos últimos 30 anos, Mãe Janete de Oyá, a mais antiga no ponto, já presenciou casos de uma convivência nem sempre pacífica.
“Teve um padre que não gostava, falava para o povo não tomar banho. Mas depois ele até ficou meu amigo”, lembra, sem ressentimento. Permaneceu a boa convivência.
A maioria, como Mãe Janete, chegou ali por promessa. A ialorixá chegou ao templo somente para agradecer a São Lázaro pela cura da filha, com um problema na perna então incurável. Sua mãe de santo a convidou e ela, obediente, começou os serviços espirituais. “Se tiver dinheiro bota, senão não bota”, antecipa a filha de Iansã. Não é problema falar em dinheiro. “A gente não cobra. O padre não pega o ofertório? O pastor não pega o dízimo? Nos dá uma ajuda quem quer”, diz ela, há cinco anos no local. Ficou ali, depois de alcançada uma graça, por imposição ancestral, sem explicação.
  
A convivência entre católicos e candomblecistas, terços e pipoca, mesmo centenária, é construída diariamente. E que não se fale em mistura. Mesmo se uma fiel como Marina Araújo, 58, paramentada de imagens de Nossa Senhora de Fátima e São Lázaro, for vista com pipoca sobre os ombros. “Vim da rua, estavam botando os despachos e o pó veio em cima de mim. Aí eu pedi proteção aqui”, diz, depois do banho. Vez ou outra, há quem seja mais ortodoxo. “Eu acho que se você vem para uma igreja, já é o suficiente. Não tenho nada contra, mas cada coisa no seu lugar”, opina a empregada doméstica Arlete Souza, 55.
 
Ialorixás dão banho em fiel (Foto: Arquivo CORREIO)
Na primeira segunda de cada mês, as baianas são convidadas a dançar nas missas. No dia 16 de agosto, de São Roque, Omolu e Obaluê, romarias saem dos terreiros em direção à igreja. No ano passado, mais de 100 pessoas, de branco, saíram do Gantois, vizinho de bairro e um dos mais tradicionais de Salvador. “Se você tirar o povo negro do Candomblé de lá, não sobra nada. Quem está lá, sabe disso. Se você for a São Lázaro, verá que quem mais frequenta aquele local são aquelas pessoas”, acredita Ordep Serra.
De São Lázaro, Ordep acredita que a presença de representantes do Candomblé próximo a igrejas católicas tenha sido vestígio das festas populares, expressões máximas do sincretismo baiano. A Congregação do Santíssimo Redentor, responsável pela igreja, reconhece a história de coexistência. Todas as crenças são muito bem-vindas. O padre Geraldo Camargo sabe que, quem vai para o templo católico é, no mínimo, simpatizante da religião de matriz africana.
“Eu acho bonito. Eu nem vejo mistura. Eu vejo acolhimento de pessoas de Deus. Eu não sei muita coisa de Orixá. Mas sei que as pessoas que vêm aqui são muito dóceis”, diz o padre.
A congregação italiana é conhecida justamente pelo seu trabalho com comunidades mais pobres e abandonadas. Também pelo respeito às diferenças e aos diferentes. “O processo de purificação não acontece dentro da rua. Mas, são licenças que a própria devoção popular tirou. A ortodoxia não tem controle sobre essas práticas”, itera a jornalista e antropóloga Cleidiana Ramos. E isso se comprova em qualquer segunda-feira em São Lázaro.
Administrando a fé
As diferenças de cada entidade e seus adeptos perfilaram cada templo e suas práticas de uma forma. As igrejas foram, e são, organizadas como espécies de empresa. Antes de 1836, por exemplo, eram as irmandades quem providenciavam enterros. “As ordens são regidas por estatutos. Cada uma tem o seu. Faziam distinção social e econômica”, explica a historiadora Luciana Onety. 
As limitações abrandaram com o tempo. Mas seguiram as funções administrativas e as ideologias. Na Igreja de São Lázaro e São Roque há 23 anos, Geraldo, da Congregação do Santíssimo Redentor confirma as diferenças dentro da própria igreja.
“A igreja é muito grande. Os carismáticos teriam pavor ao que ocorre [na praça da igreja]. Eles trabalham muito a questão da purificação, de ser possuído por uma santidade, voltada para o espiritual. Nem de política eles gostam”, explica. 
Todas as diferenças são organizadas pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil dom Murilo Krieger. É ele quem, com apoio de três bispos auxiliares, está no topo de hierarquia da igreja. De Salvador, o líder religioso acompanha as atividades de Lauro de Freitas, Salinas da Margarida, Itaparica e Vera Cruz. São 100 paróquias nos seis municípios. “Não é fácil acompanhar tudo, ter uma resposta imediata para cada novo problema que surge”, afirma. 
A Igreja do Bonfim apresenta particularidades. Quando chegou ao Bonfim, há 10 anos, por exemplo, padre Edson fez um diagnóstico do local. Percebeu que, além de templo, estava de frente para um grande centro turístico. “Acabamos juntando as duas funções. Temos conselho econômico, pastoral...”, conta ele. A igreja é encabeçada pela Irmandade de Senhor do Bonfim, criada há 255 anos.Fonte/Correio24horas

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