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quinta-feira, 11 de abril de 2019

Palácio que já hospedou a Rainha Elizabeth II pode virar hotel em Salvador

CORREIO visitou o museu e passeou pela história do Palácio Rio Branco, no Centro Histórico
Quando Thomé de Souza desceu de uma nau e enfiou o pé na areia de onde hoje está o Porto da Barra, com a missão de governar, a partir da Bahia, a Colônia inteira, tratou logo de fazer um puxadinho para morar. A Casa do Governador, como era chamada, foi feita de taipa e barro em 1549. Mais tarde, foi substituída por alvenaria e cal. O hoje Palácio Rio Branco não lembra nem de longe a construção original do século XVI.
O lugar que serviu de moradia para governadores até 1908 pode, agora, virar hotel. A coluna de Ronaldo Jacobina, do CORREIO, antecipou que o grupo português Vila Galé vai apresentar uma proposta ao governo da Bahia, que administra o prédio histórico. Lá, hoje, funciona o Memórial dos Governadores Republicanos da Bahia.
O estilo neoclássico e art nouveau chama a atenção de quem passa pela Praça Municipal, no Centro de Salvador. O prédio é antigo. Todos os objetos que decoraram os salões, como mobiliário, quadros e lustres têm, pelo menos, décadas de existência. A maioria é centenária. Nesses 470 anos, a Casa do Governador, que abrigava também a sede do governo, primeiro da Colônia e depois da Bahia, foi invadida, bombardeada, destruída pelo tempo e quase incendiada.
Foram tantas as transformações que ocorreram entre aquelas paredes que o prédio precisou ser reformado seis vezes. O desenho mais recente é de 1919. Reis, rainhas, príncipes, princesas e outros chefes de estado dormiram, almoçaram e se divertiram no Palácio Rio Branco, batizado assim em homenagem ao barão de mesmo nome. O primeiro hóspede ilustre foi D. João VI, de Portugal, que se hospedou com parte da família real, em 1808.
Em 1826, foi a vez do filho dele, o imperador D. Pedro I, a imperatriz Leopoldina e a princesa Maria da Glória, futura rainha de Portugal. Já em 1859, D. Pedro II e a imperatriz Tereza Cristina também se hospedaram no local. O último integrante da realeza que aproveitou do palácio foi a rainha da Inglaterra Elizabeth II, em 1968. É mole?



Hotel 
Não é por acaso que o setor hoteleiro está de olho no palácio. O governo da Bahia sinalizou que outros prédios históricos podem ter destino parecido, num projeto que prentende valorizar o Centro Histórico e gerar empregos. Bem perto dali, outros dois prédios antigos já abrigam hotéis: o Fera Palace e o Fasano, o primeiro na Rua Chile e o segundo na Praça Castro Alves.
O Palácio cotado para ser hotel fica na área central da cidade e tem uma das vistas mais bonitas da Baía de Todos os Santos, o que também não é uma coincidência. Segundo os historiadores, o local foi escolhido por ser uma região de proteção estratégica para a cidade, já que permitia ver de longe quando os navios inimigos se aproximavam.
Com salões amplos e bem iluminados, o local é ideal para a realização de eventos. Entrando pela porta principal, à esquerda do saguão de entrada, fica o Memorial dos Governadores. O local guarda documentos dos primeiros governadores da Bahia da época republicana, como telegramas, medalhas, espadas e outros objetos pessoais.
O museólogo Wladmir Teixeira Lima, responsável pelo espaço, contou que a maioria das 3 mil peças que compõem o acervo foram doadas pelas famílias dos governadores.
“A exposição mais recente é a das cartas que Octávio Mangabeira mandava do exílio para os políticos baianos. Ela fica à disposição do público até o próximo mês. A maioria do nosso acervo está guardada ou em restauração”, afirmou.
As paredes são decoradas com litografias dos 46 homens que ocuparam o cargo de governador da Bahia, de 1889 até 2014. “É o que mais chama a atenção dos visitantes. Tem gente que se emociona ao lembrar de algum feito dos ex-governadores e até faz homenagens”, contou.
Passeio
Os salões do Palácio Rio Branco são uma atração à parte. À direita da entrada principal fica a Sala dos Banquetes, emoldurada em estilo francês com folhas e flores tropicais, representando a abundância. Através dela é possível ter acesso a uma varanda com uma das vistas mais bonitas da Baía de Todos os Santos.
Voltando pelo mesmo caminho, o visitante encontra a escada em cristal francês, uma mistura de vidro, ferro e bronze, com o clássico tapete vermelho, que leva ao segundo pavimento. Embaixo da escada fica uma fonte com a estátua de um homem com barbas longas e expressão de quem pensa, representando o trabalho contínuo dos governadores.
No primeiro patamar da escada, quem chama a atenção pela imponência é a figura de Thomé de Souza, em gesso. Com uma mão na espada e a outra segurando alguns papéis, ela é uma homenagem ao português que primeiro morou no local onde hoje há o Palácio.
Terminando de subir a escada e virando à esquerda, descortina-se a Sala dos Espelhos. A museóloga Márcia Lopes, uma das guias, contou que a decoração estilo Luís XV é uma das que mais agradam os visitantes.
“A sala é muito bonita e foram mantidos os móveis originais, o que dá a impressão de uma viagem no tempo, uma volta ao passado. Os espelhos são enormes. Quem visita sempre gosta muito daqui”, contou.
Uma escada estreita de madeira leva ao mezanino, construído para abrigar a orquestra que animava os eventos na época. Lá de cima é possível ter uma vista completa da sala. Difícil, certamente, era subir com os instrumentos por um espaço tão apertado.
Avançando pela Sala dos Espelhos é possível chegar a Sala dos Despachos. Conhecida também como Sala Verde, ali era o local onde o governador se reunia com os secretários e assessores para tratar dos problemas da Bahia. No teto, a pintura de uma margarida faz referência ao gestor como o miolo da flor, enquanto as pétalas seriam os secretários.
Dois destaques deste cômodo são a obra ‘Primeiros passos para a independência da Bahia’, de Antônio Pereira, e a varanda superior. A primeira é uma tela de 1930 que retrata o confronto entre baianos e portugueses em Cachoeira, no Recôncavo. A segunda impressiona pela vista e pela privacidade, já que fica em uma área mais ‘escondida’ do Palácio, onde os convidados poderiam ficar mais à vontade para discutir a política.
Relíquias
Conta-se a história que os baianos de antigamente tinham por hábito levantar o chapéu quando passavam em frente ao Palácio, como sinal de respeito. A cerimônia era levada tão a sério que teria até dado origem ao nome da Rua do Tira Chapeú, ali do lado - nomenclatura que, aliás, existe até hoje.
O historiador do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), Jaime Nascimento, conta que não foi bem assim. O levantar dos chapéus, de fato, era comum naquela região, mas muito mais pela força do vento do que por respeito aos governantes.
“O prédio tem importância histórica, porque foi a sede do governo-geral, o que hoje teria status de presidência da República, até ser transferida para o Rio de Janeiro (1763). Além disso, tem importância arquitetônica e cultural, pela maneira como foi construído e pelos símbolos que representa”, contou.
Segundo o historiador, a casa de taipa do tempo de Thomé de Souza passou por diversas reformas no decorrer dos anos, até ganhar a denominação de palácio, no século XIX. “Nesse local foram tomadas as decisões mais importantes para o estado. Talvez, o episódio mais marcante tenha sido o bombardeiro que esse e outros prédios sofreram em 1912".
Bombardeio
Em janeiro de 1912 os canhões dos fortes de São Pedro, do Barbalho e de São Marcelo se voltaram para a cidade e bombardearam Salvador. Um cenário tão inimaginável que poderia se pensar ser história de pescador, não fossem os registros históricos do fato.
Por conta de uma briga política, o governo federal mandou as Forças Armadas abrirem fogo contra a cidade e a Casa do Governador era um dos alvos. Segundo os registros do governo do estado, uma das balas de canhão acertou a área em que ficava a biblioteca pública, fazendo parte do acervo queimar ou voar pelos ares. O que sobrou foi saqueado pelos moradores.
Durante a invasão holandesa, em 1624, o prédio foi tomado pelos inimigos. Segundo a história, o governador da época, Diogo de Mendonça Furtado, planejou colocar fogo nos barris de pólvora que estavam armazenados no Palácio, mas arrancaram de suas mãos a brasa que mandaria tudo pelos ares. Foi preso dentro de casa.
Em 1663, o prédio foi reconstruído em pedra e cal, mas passou anos sem reparos. Até que, em 1887, foi solicitada ao Imperador recursos para o reparo da casa que, àquela altura, ameaçava desabar. A construção ficou pronta em 1900, foi destruída durante o bombardeio (1912), e reconstruída em 1919, segundo um projeto do arquiteto italiano Júlio Conti.
Nessa época, uma das varandas foi usada para um discurso do então governador J.J Seabra, em uma atuação que pôs fim a uma greve. O povo reunido na praça, depois de ouvir as palavras do gestor gritadas lá de cima, desistiu de prosseguir com a paralisação. Em 1924, 1935 e 1980, o prédio passou por novas reformas e ampliações.
Em 1979, a sede do governo migrou para o Centro Administrativo da Bahia (CAB) e, desde 1908, os governadores do estado já não moravam no Palácio Rio Branco. O local passou a sediar órgãos da administração estadual e municipal.
Mais velho do que todas as exposições que sedia desde 1998, o Palácio é um senhor de 470 anos de história que em cada cantinho ainda tem muito o que contar.
Funcionamento do Palácio:
Visitas pessoais
 - Acontecem das 10h às 17h, de terça a sexta-feira. Entrada gratuita 
Em grupo - Precisam ser agendadas pelo (71) 3116-6928
Movimento:
5 mil pessoas visitam o local por mês na alta estação 
60 mil visitas é a média anualFonte/Correi24horas.

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