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terça-feira, 9 de abril de 2019

Ford anuncia plano de demissão de funcionários na fábrica de Camaçari

Após encerrar as atividades na fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e, com isso, interromper a atuação no ramo de caminhões, em fevereiro deste ano, a Ford Brasil anunciou, nesta segunda-feira (8), a abertura do Plano de Demissão Voluntária (PDV) para funcionários da fábrica de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.
Segundo comunicado da empresa, a proposta tem validade para funcionários operacionais da fábrica, entre 8 e 26 de abril, com o intuito de “adequar o excedente da força de trabalho à atual demanda de mercado”. A unidade de Camaçari é a responsável, atualmente, pela produção dos modelos Ka e EcoSport, levando ao mercado 250 mil unidades por ano.
Além disso, após o fechamento do espaço de São Bernardo do Campo, Camaçari, que emprega quase 8 mil funcionários diretos e 77 mil indiretos, se transformou na principal fábrica da marca na América do Sul. De acordo com a Ford Brasil, “ainda não é possível estipular quantos empregados vão aderir ao plano”.
O PDV já era esperado pelos funcionários da montadora de Camaçari, principalmente após o indicativo de greve dos trabalhadores do setor, em março deste ano. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, na Bahia, a desistência se deu após acordo com a Ford Brasil.
O movimento teve início, após a empresa ter sinalizado a demissão de 700 pessoas. O acordo, por sua vez, garante a estabilidade dos funcionários pelo período de um ano (quando ninguém pode ser demitido - a não ser voluntariamente).
Além disso, ficou acertado que os salários de até R$ 7.515 terão reposição de 100% da inflação e os que forem superiores vão ter reposição de 50% do INPC, ou seja, os reajustes só entrarão em vigor a partir de julho, data-base da categoria na região. O acordo também tem aspectos que modificam a participação nos lucros e resultados (PLR) dos funcionários.
PDV
Os planos de demissão voluntária são instrumentos legais para a redução do quadro de funcionários de uma empresa, sendo esta uma forma menos traumática e que proporciona vantagens a ambos os lados: empregado e empregador. 
Para o funcionário, os benefícios do PDV envolvem o recebimento das verbas legais de rescisão, incluindo multa de 40% do FGTS, além de indenização adicional com limite de R$ 35 mil. O plano médico do empregado é mantido até o final do mês de desligamento.
Para a empresa, a demissão voluntária permite economia a longo prazo, já que consiste na redução da folha de pagamento. Em 2019, a Ford teve redução na participação do mercado, caindo de 9% para 8,3,%, perdendo a quarta locação para a Renault e tendo chances de ser ultrapassada pela Toyota. 
Para Jim Hackett, CEO global da Ford, o plano é fazer uma reestruturação focada na mudança da linha de atuação, mas também com corte de até US$ 25,5 bilhões em custos até 2022. Além disso, segundo ele, a ordem é ampliar margem de lucro a 8%.
O CORREIO tentou contato com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que informou não responder sobre o tema. Já a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) disse que não comenta a decisão de uma empresa específica.Fonte/Correio24horas.

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