quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Aos 91 anos, Laura Cardoso diz que já sofreu assédio e fala de relações homoafetivas

Aos 91 anos, Laura Cardoso diz que já sofreu assédio e fala de relações homoafetivasUmas das atrizes brasileiras mais respeitadas da TV, teatro e cinema, Laura Cardoso mostra que aos 91 anos segue se atualizando das transformações culturais e comportamentais da sociedade. Em entrevista a Quem, a veterana confessou que considera normal ver duas pessoas do mesmo sexo demonstrar publicamente seu amor.

“Se vejo dois homens juntos se amando, ou duas mulheres, acho normal. Cada um é um mundo e pode fazer desse mundo o que quiser. Ninguém tem o direito de te censurar. Eu, hein?! O importante é buscar sua felicidade e dormir com quem você quiser. É um pecado mortal censurar a vontade do outro, o sonho dele. Desde o meu tempo de menina isso existia. Mas era mais em segredo. Hoje não é mais assim. Eu acho lindo ver dois homens de mãos dadas na rua. Por que estragar isso? Sempre fui assim, sem preconceito algum.”

Atriz desde os 15 anos, ela admitiu já ter passado por situações delicadas no trabalho. “O assédio sempre existiu e vai existir sempre. Naquela época havia o assédio, mas acho que não era tão violento ou aberto como é hoje. Uma menina de 16 anos só por ser jovem, já era assediada. Mas dependia muito de aceitar ou não aceitar. No meu tempo era mais velado. Hoje é mais violento. Mas sofri, sim.”


No papo, ainda criticou os atores e atrizes da nova geração que se preocupam mais com a "fama" do que com o trabalho. “Agora a TV é uma espécie de fábrica. Você termina seu trabalho, pega a sua roupa e vai embora. Antes a gente fazia a TV ao vivo e se reunia depois para ver como tinha saído, discutir o trabalho... Era como um grupo de estudantes. O pessoal ia em uma padaria da esquina, que apelidávamos de esquina do pecado porque era onde amores começavam, outros terminavam. Havia amor, traição, raiva e ciúme... Hoje não tem isso e é uma pena. Não tem uma reunião para depois a gente saber o que o colega acha, ouvir críticas. Gosto muito de quem me critica porque aponta algo que eu posso melhorar. A análise e a crítica são boas para o ator. Hoje é difícil você ver atores sérios, que querem fazer um bom trabalho. A maioria é oba oba, principalmente na televisão. Todo mundo quer ser ator, famoso e ter uma piscina. Acho uma bosta esse pensamento. O dinheiro rege muito tudo. No meu tempo, lógico que todo mundo queria ganhar melhor, mas isso não era o foco principal. O foco era ter trabalho, chegar à perfeição".Fonte/Bahianoticia.

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