sábado, 16 de fevereiro de 2019

Amamentação: mães dão relatos sinceros sobre a experiência

Caroline Garrido só conseguiu amamentar Maria Luísa até os 15 primeiros dias - Foto: DivulgaçãoFundamental para o desenvolvimento saudável do bebê, além de ser um dos momentos mais esperados por grande parte das mamães, a amamentação, é principalmente, um elo de afeto, amor e cuidado entre a mãe e a criança. Muitas mulheres se sentem realizadas ao viver esse momento, outras, infelizmente, por diversos fatores, não conseguem passar por essa experiência.
Mãe da pequena Maria Luísa, de três meses, Carolina Melo Garrido, 31 anos, é uma das mães que integra a estatística daquelas que não puderam amamentar o bebê por muito tempo. Devido a problemas relacionados ao estresse, ela só conseguiu amamentar a filha, durante 15 dias.
"Eu tinha leite, mas ele não descia por conta do meu nível de estresse. Fui acompanhada por minha obstetra e por uma enfermeira especializada em amamentação. Todas as técnicas médicas e culturais foram feitas para tentar fazer o leite descer. As tentativas foram inúmeras, mas infelizmente não foi possível".
Conforme explicou a médica pediatra, diretora da maternidade do Instituto de Perinatalogia da Bahia (Iperba), Dolores Fernandez, ao notar qualquer dificuldade durante o processo de amamentação, é necessário procurar um profissional com especialização nessa área para identificar a situação.
"Saber a causa é o primeiro passo. Alguns fatores como estresse, medicação, bebês que são mais gulosos, uns que estimulam mais a descida do leite, já outros estimulam menos, têm crianças que possuem alteração na linguinha, na boquinha. São várias causas que interferem no processo de lactação", contou a médica.
Carolina comentou sobre o sentimento ao descobrir que não seria possível continuar o aleitamento. "A primeira coisa que a gente sente é muita culpa e frustração por não poder dar ao nosso filho, o básico, que é a amamentação".
Nesses casos, quando já é confirmado que a mãe não poderá amamentar, Dolores orienta a mulher a buscar formas que possam ajudá-la a enfrentar essa situação. "É importante saber conduzir com fisioterapia, terapia, grupos de apoio e principalmente compreensão das pessoas ".
Foi com o amparo familiar que Carolina conseguiu superar os dias de dor. "Tive ajuda de minha sogra, do meu marido, dos meus médicos. Eu, como mãe, talvez ainda carregue essa culpa ao longo do tempo, mas não é algo que me paralisa. É preciso, acima de tudo, respeitar nossos limites. Se a mãe não estiver bem, ela não consegue cuidar do bebê. A maternidade é uma benção, mas não deixa de ser um processo difícil e doloroso. É um crescimento diário", ressaltou.
Amamentação exclusiva
Ainda quando estava grávida, a estudante de enfermagem, Maria das Graças Martins dos Anjos, 28 anos, já tinha em mente que pretendia se dedicar á amamentação exclusiva de sua filha, Luna. E os planos deram certo.
"Até os sete meses fiz exclusiva. Sem água, sem chá, sem nada. A partir daí, introduzi papinhas de legumes, frutas, raízes. Não foi fácil, porque eu não podia sair e ficar distante dela por muitas horas. Foi um desafio. Ela acordava a noite toda, eu ficava com sono e muito cansada. Luna queria ficar o tempo todo no peito", desabafou.
"É comprovado que o leite materno possui mais de 200 substâncias importantes para a formação e saúde das crianças. Se possível, ele deve ser utilizada até os dois anos", ressaltou a pediatra.
Maria das Graças pretende amamentar a pequena Luna até ela completar dois anos
Maria das Graças e sua filha Luna (Foto: Divulgação)
Maria das Graças, já se planejou e pretende seguir as instruções do Ministério da Saúde, mantendo a amamentação de Luna até os 2 anos. "É uma fase complicada por causa dos dentes que estão crescendo. Às vezes ela não quer comer nada, só peito mesmo.
Amamentação mista
Assim como Maria das Graças, Rafaela Magalhães Pinheiro da Silva, 22 anos, também havia optado pela amamentação exclusiva, mas antes dos 6 meses precisou introduzir o leite artificial (fórmula) na rotina de seu filho Vicente, de um ano ano e dois meses. "Sempre tive o desejei só amamentar, mas como fiz redução de mama, tive dificuldade na produção do leite. Com isso, aos três meses, ele ficou muito abaixo do peso. Conversei com a pediatra e tive que introduzir a fórmula durante a noite" contou.
Além do leite materno, o pequeno Vicente também já se alimenta de outras comidas
Além do leite materno, Vicente também já se alimenta de outras comidas (Foto : Divulgação)
Apoio
Além da pediatra Dolores, a psicóloga Infantil do Núcleo de Apoio da Saúde da Família (NASF), Fernanda Rebouças também enfatizou o quanto a mulher necessita de apoio nesse processo de aleitamento. "Têm alguns fatores que precisam ser considerados. A mulher precisa dar conta de uma série de funções. E existem algumas atribuições que o companheiro e as pessoas ao redor podem ajudar. Seja cuidando do bebê ou das tarefas domésticas. O pai não estará ajudando a mãe, mas sim, fazendo o papel dele", ressaltou a psicóloga.
Interrupção
Em alguns casos muitas mulheres acabam interrompendo o aleitamento, seja por questão de necessidade ou até por opção. A volta a rotina de trabalho e desgaste físico e mental são os principais fatores.
Diferente do que diversas pessoas pensam, as especialistas garantem que os bebês conseguem entender quando o pai e a mãe, em especial, conversam com elas, sendo assim, se faz necessário o diálogo contínuo, principalmente quando pretende-se interromper a amamentação.
"A depender da idade, ela [a criança] não entende as palavras, mas entende os gestos, o olhar, o toque. Por isso, é importante começar a conversar com elas. Dizer que ela não vai mais se alimentar de leite, que naquele momento não vai dar de mamar, mas, em compensação vai poder comer outros alimentos. Dessa forma, é possível que a criança passe a se distanciar do peito", afirma Fernanda.Fonte/http://atarde.uol.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário