sábado, 16 de setembro de 2017

Baianas que trabalham de forma tradicional vão receber selo da Prefeitura de Salvador

As baianas de acarajé que seguem a tradição em Salvador irão receber, a partir da próxima semana, o selo “Baiana Legal”.

 A iniciativa é do Conselho de Cultura de Salvador em parceria com a Associação das Baianas de Acarajé, Mingau e Receptivo da Bahia (Abam). 

Varela Notícias conversou com a presidente da associação brasileira, Rita Ventura, sobre o tema. Segundo ela, o intuito principal do selo é valorizar o trabalho da baiana. 
“A gente vai colocar um selo na baiana que estiver totalmente legalizada. Com a roupa, com a licença da prefeitura em dia, trabalhando direitinho. E independente da gente colocar esse selo na baiana a gente vai distribuir para a população um fôlder. Valorize uma baiana tradicional”, explicou.
Em julho deste ano, a profissão da baiana de acarajé entrou oficialmente para a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Na ocasião, a Abam estimou que, somente em Salvador, 3.500 profissionais seriam beneficiadas com o reconhecimento da profissão.
Para Rita Ventura, a entrada da profissão na CBO “ajudou” para que fosse criado o selo. “Na documentação que foi feita no Ministério do Trabalho, consta que para a baiana ser de fato uma profissional ela tem que estar na rua, de bata, de saia, de torso, com o tabuleiro e licença da prefeitura”, disse.
Outro ponto que Rita aponta como de extrema importância para a manutenção da cultura é o fato da Baiana ter sido classificada como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O título foi concedido em 2005, no entanto, de acordo com Ventura, ele precisa ser renovado a cada 10 anos, mas a renovação ainda não foi feita em Brasília.
“A cada dez anos é feita uma pesquisa para ver se está valendo a pena, se está sendo salvaguardado bem. A gente anda pela cidade de Salvador e não vê baiana vestida. E tem um decreto municipal da Prefeitura de Salvador que diz que a baiana, para vender em local público tem que estar de saia, de bata e de torso e isso não está sendo cumprido”, lamentou.
Cursos
Para auxiliar as profissionais, a Abam, em parceria com o SIMM, está realizando cursos de reciclagem gratuitos. De acordo com a presidente, já foram dados cursos de atendimento ao cliente, inglês e matemática financeira. “Para elas verem o quanto elas gastam e o quanto de fato elas têm que vender o acarajé. Porque quem vende acarajé de R$ 1 comprando camarão de R$ 50 a R$ 70 está deixando de pagar alguma coisa, porque o dinheiro não está dando”, questionou.
Futuramente, ainda de acordo com Rita, serão ministrados cursos de manipulação de alimentos, de maquiagem e, no sábado (16), acontece o curso de torso. “Tudo isto para levantar a alto estima da baiana de acarajé”, falou.
Para se inscrever, a interessada precisa entrar em contato com a Abam pelo número de telefone: (71) 3322-9674. Os cursos acontecem na sede do SIMM, no bairro do Comércio, em Salvador.

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