quarta-feira, 11 de março de 2015

Autor de livro sobre Irmã Dulce revela: 'li mais de cinco mil graças'

Irmã Dulce, a freira baiana que foi beatificada em 2010. (Foto: Divulgação/ Osid)Para fazer o livro eu li mais de cinco mil graças", revela o jornalista Jorge Gauthier, autor do livro-reportagem "Irmã Dulce, os milagres pela fé".

 O lançamento será nesta quarta-feira (11), às 9h, no Memorial Irmã Dulce, localizado Largo de Roma, em Salvador.

Segundo conta Gauthier, as Obras Sociais Irmã Dulce (Osid) recebem muitos relatos de graça, e no local há um setor de memória que deixa esses documentos registrados. 
"Passei dias lendo esses relatos".
Gauthier ainda revela que a ideia de escrever o livro surgiu de dois fatores: o trabalho como jornalista e a "provocação" de uma professora do curso da especialização que fez em Jornalismo Científico, na Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Jorge Gauthier, jornalista autor do livro sobre Irmã Dulce. (Foto: Maiana Belo/G1 Bahia)"Comecei a fazer uma série de 16 matérias com a contribuição de dois colegas de trabalho.
 Ao longo do processo percebi que tinham coisas que não cabiam no conteúdo do jornal. No mesmo período, eu entrei em uma especialização de Jornalismo Científico e, em uma das aulas, minha orientadora disse que ninguém tinha feito um trabalho sobre ciência e religião.
 Ela estava lendo uma das matérias que eu tinha feito e disse: 'Jornalismo Científico só trata da saúde da mulher, descoberta do câncer, mas ciência e religião ninguém trata. 
Por que você não faz um projeto?'. A ideia veio daí, do trabalho e da provocação da professora de fazer alguma coisa relacionada a jornalismo científico", explica.
Para o autor, o amor que Irmã Dulce tinha pelo próximo é o que mais chama a atenção dele. Mesmo doente, com problema nos pulmões, Irmã Dulce não deixava de ajudar as pessoas e de ir em busca daqueles que precisavam da ajuda dela.
Ela é mais uma figura de feitos do que qualquer outra coisa. Ainda criança, ela chamou a tia para fazer doações escondidas do pai na porta de casa.
 Ela dormiu em uma cadeira durante 20 anos por conta de uma promessa que fez pela saúde de uma das irmãs. Mesmo com enfisema pulmonar, debaixo de sol e chuva, saía para recolher pessoas pobres das ruas, dar comida", conta.
Irmã Dulce foi beatificada após avaliação de um milagre atribuído a ela. (Foto: Divulgação/ Osid)Gauthier conta que por mais que haja descrições da vida de irmã Dulce, um dos objetivos do livro é contextualizar as obras da beata.
"Quando eu fui me aprofundar na história dela, percebi que tinham realizações milagrosas que não tinham explicações, e para eu explicar isso, tinha que colocá-la nessa linha da história. É por isso que os dois primeiros capítulos do livro são de contextualização histórica, com fontes que foram ouvidas, indicando esse processo de construção, de embate da ciência com a religião e colocando Irmã Dulce dentro desse processo".
"O que eu pensei que não podia faltar no livro foi quando eu consegui junto ao vaticano, documentos onde médicos com mais de 20 anos de profissão escreveram depoimentos, assinados, dizendo: 'eu não sei como essa mulher sobreviveu. Meu conhecimento científico foi insuficiente. Até onde eu podia chegar, eu cheguei e ela ia morrer'.
Óbvio que quem não acredita vai achar que o médico era incompetente, mas para quem acredita e vê um médico dizendo que é impotente, dentro dos seus conhecimentos, para salvar uma pessoa, realmente existe uma alguma coisa que vai além da ciência", conclui.
Família cuja mãe recebeu milagre de Irmã Dulce (Foto: G1 BA)Família cuja mãe recebeu milagre de Irmã Dulce
(Foto: G1 BA)
O Milagre
Para Jorge Gauthier, das graças atribuídas a Irmã Dulce, a que mais impressiona é a história da sergipana Claudia Cristina dos Santos. Ela sangrou por 18 horas e foi submetida a três cirurgias em uma maternidade da cidade de Itabaiana, em Sergipe.
O sangramento ocorreu após ela dar à luz ao segundo filho, em 2001.
"Esse caso de Claudia foi interessante porque não foi ela que fez o pedido. Foi um padre de Aracaju que fez o pedido. Ela nem conchecia Irmã Dulce, não era devota. Ela fala: 'não sei o que aconteceu comigo. Todo mundo me conta que eu estava morta e pela intercessão de Irmã Dulce salvaram minha vida'. Ela é muito grata por isso, e você percebe no olhar dela isso", revela o autor.
Este também foi o milagre que levou à beatificação de Irmã Dulce e foi reconhecido oficialmente pelo Papa da época, Bento XVI, em 10 de dezembro de 2010. A realização da Cerimônia de Beatificação ocorreu no dia 22 de maio de 2011, em Salvador. Na ocasião, a freira baiana recebeu o título de Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, tendo o dia 13 de agosto como data oficial de celebração de sua festa litúrgica.
Segundo explica Gauthier, para ser tornar santo a pessoa passa por alguns estágios na ordem: ser servo de Deus, venerável, beata e santa.
Gauthier conta que por volta do ano 952 d.C., era santo qualquer pessoa que tivesse virtudes heroicas, mas que nesse mesmo período foi instituído o tribunal eclesiástico. "A partir desse momento, para considerar uma pessoa como santa há um processo de reconhecimento de milagres. Dentro do processo da igreja, Irmã Dulce ainda não é santa, apesar de ter muitos milagres atrelados a ela pelo senso comum", disse.
Desde quando foi assinado o decreto de beatificação, em 2011, já foram enviados à causa de canonização de Irmã Dulce mais de 1,5 mil relatos, das mais diversas procedências e motivações. Dentre eles, os mais contundentes estão sendo analisados para, posteriormente, serem encaminhados aos peritos médicos, que dão a palavra inicial para que o processo seja iniciado.
Irmã Dulce nasceu no dia 26 de maio de 1914, em Salvador, com o nome de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes. A freira baiana morreu no dia 13 de março de 1992, aos 77 anos.Fonte/G1.com

Irmã Dulce foi beatificada na tarde deste domingo (22), em Salvador (Foto: Ricardo Cardoso/Frame/AE)

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