terça-feira, 14 de outubro de 2014

Centro de Equoterapia reúne pais e filhos em homenagem ao Dia da Criança em Inhambupe

      O Centro de Equoterapia da Abecrin (Associação Beneficente Cultural e Recreativa Inhambupense) reuniu pais e praticantes da equoterapia, nessa quinta-feira (dia 9), na Fazenda Lagoa Seca, em Inhambupe, para uma manhã de lazer em comemoração ao Dia da Criança. A presidente da Associação, Leila Matos destacou a importância de vivências dessa natureza para pais de filhos com necessidades especiais.

"Na semana da criança, esse é um momento especial para as mães pois elas precisam tanto ou  mais que as crianças, porque cuidar de uma pessoa com deficiência não é fácil, existe um nível de stress total e o cavalo serve para amenizar isso", pontuou Leila, lembrando que a experiência tem justamente a finalidade de fazer os pais vivenciarem as mesmas sensações que os filhos passam em cima do cavalo, "porque a equoterapia não é somente para as pessoas que têm deficiência, mas para as pessoas que não têm também".
Leila salienta que os exercícios praticados em cima do cavalo servem para desenvolver tanto a coordenação motora quanto a própria independência do indivíduo, pois ele aprende a pentear o cabelo, escovar os dentes e a realizar outras atividades que normalmente não faz.Leonice de Souza, mãe de Antonia, portadora de autismo e de Caleb, que possui deficiência mental leve, foi uma das que vibraram com a experiência de montar e fazer os mesmos exercícios que os filhos executam. "É muito gratificante, um sentimento libertador. Fiquei feliz pois é uma sensação muito gostosa, de liberdade, sempre tive vontade de montar. Eu invejo esse tratamento que as crianças têm aqui, queria o mesmo para mim", revelou. Ela confessou ter ficado muito satisfeita pelo fato de a prefeitura de Inhambupe ter participado e apoiado o evento. "O município ganhou de presente esse entrosamento com a Abecrin, que é um trabalho sério. Aqui tem inclusão, pois os profissionais que trabalham se adequam ao jeito de cada criança", destacou.
Ana Meire Cardoso, mãe de Ana Clara, de 7 anos, portadora de mielomeningocele (um defeito congênito em que a espinha dorsal e o canal espinhal não se fecham antes do nascimento) e hidrocefalia derivada, elogiou muito a evolução que a criança vem conhecendo desde que iniciou o tratamento, em março desse ano. "Como minha filha não tem o movimento dos membros inferiores, com os exercícios ela obteve uma melhora na postura, elevou a autoestima e a confiança para montar no cavalo. E ao montar, eu percebi o quanto é difícil vivenciar essa experiência. Aqui de baixo é fácil incentivar, peque aqui, faça isso, melhore a postura, mas na prática é muito difícil", contou.

Ana salientou o quanto é difícil para os pais ter uma pessoa especial dentro de casa, "pois essa situação nos faz mudar a vida totalmente, tanto com relação à família, quanto na profissional e na sociedade pois passamos a encarar os fatos de uma forma diferente". Para ela, o fato de a prefeitura ter efetivado o acordo com a Abecrin e disponibilizado um psicólogo e um fisioterapeuta para auxiliar o trabalho do centro de Equoterapia representou uma grande conquista para os cidadãos inhambupenses. "Esse é o caminho que teria que ser feito, porque antes tínhamos que sair daqui para fazer esse tratamento em outro município. Então a gente fica feliz pelo gestor ter abraçado essa causa e ter disponibilizado profissionais capacitados e qualificados para esse trabalho. Temos observado o quanto tem nos feito bem e que precisa ser estendido a mais pessoas",  completou.

A diretora da Secretaria de Assistência Social, Andrea Lima, destacou que a importância dessa parceria entre a Prefeitura e a Abecrin reside no cunho social que o trabalho engloba. "Você tira a criança do seu 'esconderijo', de sua casa, e a desenvolve para a vida. Elas são crianças especiais, precisam ser incluídas e a forma que encontramos foi nessa parceria com a Leila. Esse é um trabalho muito gratificante, porque promove a integração das crianças com seus pais, que conversam, participam. Tira a criança de dentro de casa e a insere no mundo. As crianças se tornem independentes, aprendam a viver com suas limitações e a diminuí-las com o tempo", sintetizou.

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